Reunimos um time de experts para avaliar as
cachaças e aguardentes mais vendidas no pais

Por Cristina Bielecki
Ilustrações: Nik

Reportagem publicada por
www.playboy.com.br


Em 1738 cria-se a Capitania de Santa Catarina e seu primeiro Governador, o Brigadeiro José da Silva Paes, é nomeado com a incumbência de dar cobertura militar e estratégica de implantar um sistema defensivo litorâneo onde se incluía a Ilha de Santa Catarina.
A única bebida considerada típica do Brasil é a cachaça. E isso não é pouco. Assim como o vinho está para a França e o rum para o Caribe, esse destilado acompanha o samba e as mulheres e identifica o país. O esforço em criar uma boa imagem da bebida lá fora também aumenta seu consumo por aqui e melhora sua qualidade. Bares sofisticados têm carta de cachaça que indicam região, safra, envelhecimento e preços de doses chegando a 35 reais – batendo muita bebida importada, como alguns uísques escoceses.

Do Rio Grande do Sul à Paraíba, destilarias e alambiques somam uma produção de 1,3 bilhão de litros por ano – e quase tudo é consumido aqui. Apenas 1% é exportado, principalmente para países da Europa, como a Alemanha, um dos maiores consumidores de caipirinha, a segunda pedida depois da cerveja.

E, assim como misturar corintianos e palmeirenses dá discussão, a briga nesse departamento fica entre os produtores de cachaça e os da aguardente de cana. A cachaça de alambique é a bebida elaborada em alambiques de cobre, tem colheita manual de cana e processo de fermentação que leva de 15 a 30 horas, conforme explica Dirlene Maria Pinto, da Fenaca – Federação Nacional das Associações dos Produtores de Cachaça de Alambique. No processo de destilação da cachaça de alambique, a primeira fração e a última, ambas de 10%, são eliminadas. Elas são as partes ruins do álcool, que dão ressaca e dor de cabeça. "Na boa cachaça só está o coração – 80% do total do volume destilado", conta Dirlene. As cachaças de alambique, envelhecidas ou não em tonéis de madeira, têm maior riqueza de aromas e podem ser apreciadas puras.

Já nas aguardentes de cana, produzidas nas grandes indústrias, a colheita é feita com máquinas e o processo de fermentação é de apenas seis horas. O alto volume da produção faz com que a aguardente tenha um preço bem mais acessível. Muitas delas não custam mais do que 2,50 reais a garrafa. A aguardente de cana, branca, vai muito bem em batidas e coquetéis nos quais seu sabor concorre com o dos outros ingredientes.

De acordo com Maria das Vitórias Cavalcanti, do PBDAC – Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Cachaça, o processo industrial tem melhor rendimento: cada tonelada de cana é transmudada em 170 litros de bebida. No alambique, a mesma tonelada rende 80 litros de cachaça.

As cachaças premium per- tencem a uma categoria que recebe um tratamento só dado aos bons vinhos. A produção é limitada – algumas têm garrafas numeradas – e os passos da fabricação são controlados com rigor. Chegam a custar 350 reais a garrafa.

São, portanto, bebidas com características bem diversas. Para preservar o rigor deste ranking, dividimos as 28 bebidas em três grupos e avaliamos cada um com seus critérios próprios.

Confira as notas

Excelente - acima de 90 pontos
Ótimo - entre 80 e 90 pontos
Muito bom - entre 70 e 80 pontos
Bom - entre 60 e 70 pontos
Abaixo da média - abaixo de 60

Nenhuma bebida chega à nota 100. Isso porque na avaliação são analisados diversos aspectos nas características visuais, olfativas e gustativas com muitas variações em cada amostra. Notas entre 80 e 90 podem ser consideradas excelentes para qualquer categoria de bebida.



Armazém Vieira Ônix
Nota 80
Região: Florianópolis (SC)
Produtor: Canafita
Preço: 203 reais

Vice-campeã também em envelhecimento: 16 anos em tonéis de ariribá. Boa qualidade de aroma, com toques de baunilha.
"Na boca, bom corpo, integrado com a madeira", constata Rafael Ribeiro da Luz Jr., da ABS.


Armazém Vieira Esmeralda
Nota 69,8
Região: Florianópolis (SC)
Produtor: Canafita
Preço: 25 reais

A cachaça é envelhecida por quatro anos em antigos tonéis de ariribá, madeira do litoral catarinense.
"Macia e agradável", segundo Telles. Para Weimann, boa oleosidade e aroma com lembrança de cana.


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