COLONIZAÇÃO DA ILHA O Brasil foi descoberto por Pedro Alvares de Cabral em 22/04/1500, já a nossa ilha foi descoberta em 1515 por João Dias de Solis; mais tarde em 1525 foi visitada por Sebastião Caboto, em 1527 por Diego Garcia e em 1540 por outros navegadores que se destinavam para o Prata (Argentina e Uruguai)
Mas a nossa colonização teve inicio em 1673, quando o paulista de Santos, Francisco Dias Velho aqui chegou, trazendo esposa, três filhas e dois filhos, além de 500 índios. Acompanharam-no também, dois padres e um agregado de nome José Tinoco, cuja família se compunha de um filho e duas filhas.
Escolhido o lugar para a colônia (atual largo da Catedral), lançou os seus primeiros fundamentos, edificando ranchos ou choupanas, erigindo ao mesmo tempo urna capela (atual catedral).
Infelizmente, em 1689 piratas saquearam a vila, invadiram a capela e trucidaram Dias Velho, ficando a ilha abandonada por quase cinqüenta anos.
A preocupação dos portugueses era muito grande, temerosos com os invasores, pois por aqui passavam os navios com destino ao Prata.
Em 07 de março de 1739 chega na ilha o nosso primeiro governador, Brigadeiro José da Silva Paes, engenheiro militar, Foi quando em nossa ilha teve efetivamente inicio a co1onização Quando aqui aportou, haviam somente 27 casas, mas entre 1748 e 1756 chegaram 4.024 pessoas provenientes dos Açores e ilha da Madeira.
Silva Paes construiu os fortes que circundam a vila, o que não impediu que em 1777 os espanhóis que desembarcaram em Canasvieiras invadissem a cidade. Projetou também o Palácio do Governo e a Catedral, que foi construída no mesmo local da capela erguida por Dias Velho em 1675. A vila foi desmembrada de Laguna em 23/03/1726 e passou à cidade em 20/05/1823, um ano depois da independência do Brasil.
A ilha recebeu vários nomes, Meiembipe, nome dado pelos índios Carijós, Ilha dos Patos, Ilha de santa Catarina. O primeiro nome da cidade foi Desterro e, finalmente Florianópolis, nome dado pelo Governador Hercilio Luz em homenagem ao presidente da República, Floriano Peixoto
No futuro até que a ilha poderá ser chamada FLORIPA, pois até hoje o nome Florianópolis não é bem aceito devido aos crimes praticados pelo então Governador nomeado por Floriano Peixoto, Moreira César, que mandou matar 187 pessoas contrárias à República, na Ilha de Anhatomirim.
No início da colonização da ilha, os principais povoados foram Santo Antônio de Lisboa, Ribeirão da Ilha, Lagoa da Conceição e SACO DOS LIMÕES.
O escritor Virgílio Várzea, que nasceu em Canasvieiras no dia 06 de janeiro de 1863 e faleceu no Rio de Janeiro em 29 de dezembro de 1941,no seu livro, "Santa Catarina - A ILHA" escrito em 1900, faz um relato de como era o Saco dos Limões (anexo fotocópia do relato).
Naquela época a população era de 15.000 habitantes; atualmente temos 268.0000, a grande Florianópolis, cerca de 600.000 habitantes.
HISTÓRIA DA FAMILIA VIEIRA Agora chegamos ao Armazém Vieira. Vou contar com orgulho a sua história.. Quero iniciar com o depoimento de minhas cunhadas, Leandra Coelho , com 90 anos e Clotilde Silveira de Souza, Tida, com 86 anos de idade.
Contam que moravam no Pantanal mas estudavam no Saco dos Limões, perto da Igreja, na escola da professora Maria Duarte e Silva, a afamada professora Mariquinha, casada com o Irmão do meu avô, Manoel Motto Espezim, que era funcionário da Assembléia.
As duas, ainda meninas, ficavam apavoradas quando passavam pelo casarão na esquina do Pantanal e Costeira, que se achava abandonado por ser considerado mal assombrado (corno se dizia antigamente), devido o Chico Antônio ter se enforcado lá.
O casarão. presumo que teria sido construído lá pelos anos de 1840. Bem mais tarde, no casarão passou a funcionar o armazém de Secos e Molhados do Sr. Deolindo Costa, casado com Placidina Espezim Costa (a bola), filha de João Motta Espezim. irmão do meu avó Francisco Motto Espezim.
Meu pai, Manoel Sérgio Vieira, de família modesta, nasceu em 08/09/1891 e faleceu em 03/07/1961, era chineleiro. Naquela época, o calçado mais usado eram os chinelos ou tamancos.
Casou-se com Clotilde Motto Espezim, nascida em 28/03/1892 e falecida em 28/03/1978, com 86 anos idade. Filha de Francisco Motto Espezim, nascido em 1857, comerciante abastado e dono de muitas terras e imóveis, inclusive na cidade. O casamento foi realizado em 1912; em seguida montou um armazém de Secos e Molhados no inicio da Costeira A casa devia ser de meu avô, depois mudou-se para o local onde existiu a venda do meu avo.
Entre 1926 e 1927 comprou da família Galiani o atual prédio, casarão, onde funciona o Armazem Vieira. O prédio foi todo reformado e feita a bela arquitetura, até hoje muito bonita. O pedreiro era o Sr. Lourenço, grande operário e construtor. Na frente foi implantado um jardim, com bancos e área de lazer onde o povo reunia-se e era mantido por nos; mais tarde a Prefeitura desapropriou a área e nada fez. Agora por ali deve passar o acesso do Pantanal para a via expressa sul.
Foi o maior e mais movimentado armazém da periferia de Florianópolis; vendia de tudo, tipo Super Mercado; o movimento era intenso, pois não havia ônibus para o sul da ilha e, o ponto do ônibus para o centro da cidade ficava em frente ao armazém. Do sul da ilha em geral, as pessoas vinham à cavalo, de aranha e carreta.
O casarão era ocupado, na frente o armazém, no lado do Pantanal, pela residência de nossa família, no lado da Costeira a casa foi ocupada por José Fernandes, primeiro proprietário de ônibus que fazia a linha da cidade - Saco, cujo ponto era na frente da antiga Igreja.
Mais tarde este lado do casarão passou a ser ocupado pelo Sr. Joquita Moré. Em 1948, quando casei-me, passei a morar ali. Nos fundos havia um depósito para armazenar as mercadorias, farinha, milho, etc. Existia também, um depósito menor para colocar os tambores de gasolina que eram levados num carrinho para colocar na bomba. de gasolina onde eram abastecidos em 1930 os ônibus, três Ford e um Chevrolet. Inicialmente eram de propriedade dos Srs. Valdemar Vieira (pai do vereador Alcino), Cordeiro e Clodoaldo, depois foram de meu pai e, mais tarde vendidos para a outra empresa que já explorava diversas linhas. Os ônibus eram pessimamente conservados, largando os pedaços.
Em 1936 foi fundada urna nova empresa, cujos sócios eram Milton Espezim Vieira, meu irmão Herondino Cardoso, meu cunhado e Armando Viana. A linha foi inaugurada em 20/01/1936 e depois vendida para a firma Aterino. A propriedade onde ficava o casarão media 25.000 m2 era uma verdadeira fazenda; tinha toda espécie de frutas, cavalos, vacas, porcos, galinhas, que maravilha!
Naquela época não se usava barzinho nem lanchonete, O armazém abria às 05 horas da manhã e fechava muito tarde. A noite era o ponto de bate-papo dos amigos; como eu gostava de escutar a conversa dos coroas. O papai instalava na frente do armazém um alto falante tipo chapéu chinês para o povo vibrar com as novidades transmitidas pelo rádio.
Fomos dez irmãos, cinco morreram ainda muito pequenos. Na partilha pela morte de meus pais, a parte do lado do Pantanal tocou para Serginho e o outro lado para o Milton.
O casarão foi vendido em 1984 e ali instalado o ARMAZEM VIEIRA, agradecemos aos compradores por terem homenageado desta forma o meu pai, que viveu com muita dignidade e amor sua terra natal, o Saco dos Limões.
Meu pai era o único que possuía automóvel e o primeiro a possuir rádio. Como falei anteriormente, o ponto principal do bairro era nosso Armazem, que não fechava nem aos domingos.
Com a construção da Vila Operaria (100 casas), Loteamento do Mariano, Sargento Vieira, Caieira e mais tarde o loteamento de Hipólito Mafra, o movimento foi deslocado para as imediações da Vila Operaria, ficando muito reduzido o movimento no "Canto", como dizia já no tempo de Virgílio Várzea
Com o surgimento dos Supermercados, os negócios ficaram um pouco reduzidos. O Armazem foi administrado até 1951 pelo meu pai que, por motivo de doença, angina, passou a morar na cidade, até quando faleceu em 1961.
Nesta altura a família não tinha mais interesse em ficar com o Armazem, embora meu irmão, Sérgio Vieira, passou a administrar o negócio que mais tarde foi alugado
O motivo do desinteresse foi o seguinte: o Milton Espezim Vieira estabeleceu-se com comercio de atacado no Mercado Municipal, Sérgio Vieira, formado em direito, advogado, era funcionário da Assembléia Legislativa, eu Demerval Vieira tirei o contador em 1943 e economia em 1947, era empresário da navegação. Ina viera, minha irmã, casada com Moisés, irmão de minha esposa, formado também em contador e economia, era funcionário do Banco do Brasil e, a Isolete, também minha irmã casada com Herondino Cardoso, não tinha interesse, pois o seu marido, trabalhava como autônomo.
Pelo relato pode-se constatar que todos fizeram sua vida na cidade e todos ali realizaram-se, ficando os negócios no Saco dos limões em segundo plano.
A última leva de terra foi vendida para o Clube Logosofia. Existe ainda uma casa e dois lotes no inicio da estrada para a Costeiras que ficaram como lembrança.
Existe no inicio da estrada para a Costeira do Pirajubaé uma rua com o nome de Manuel Sérgio Vieira. Meu pai era muito empreendedor, grande comerciante, prestava assistência a população local; tinha um conceito enorme. Podemos dizer que viveu com muita dignidade. Formou um patrimônio relativamente grande e procurou educar seus filhos, que alcançaram êxito em todos os sentidos. Orgulhamo-nos de ter um pai como Manuel Sérgio Vieira.
Esta aí a história de nossa ilha, da família Manuel Sérgio Vieira, do Armazem Viera. Fico a disposição para maiores detalhes, para contar histórias e estórias. Tenho também um levantamento preliminar das árvores genealógicas das famílias Espezim, Vieira, e da família de minha esposa, Olímpia Maria e Leandro José da Silva.
Escrito por DEMERVAL VIEIRA Maio/1997
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