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CACHAÇA DA ILHA
HISTÓRIA

Em 1510, dezoito anos após o descobrimento de América por Colombo se plantava cana de açúcar em Pernambuco. O primeiro engenho açoriano de açúcar e cachaça foi montado em São Vicente, hoje porto de Santos, em 1534.

O navegador esteve na Ilha de Santa Catarina em 1719 numa tumultuada passagem. Muitos outros navegadores que aportaram na ilha no século XIIX e XIX registraram a produção de cachaça. Em 1750, com a chegada dos açorianos e madeirenses, a produção foi aprimorada e a cachaça ganhou nome e a Ilha passou a ser o segundo produtor nacional que atendia os navegantes do atlântico sul. O primeiro produtor era o Porto de Paraty.

Nos séculos XII a XIX a cachaça era produzida pelas freguesias; na Ilha de Santa Catarina se destacaram as Freguesias de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa e de Nossa Senhora da Lapa do Ribeirão. A cachaça da Ilha era exportada para os países do Rio da Prata e para o Rio de Janeiro, de onde atingia o mundo.

Freguesias da Ilha também cultivavam café que era exportado para a Europa e obtendo vários prêmios, entre eles o da exposição de Lyon.

Virgílio Várzea, em seu livro "Santa Catarina. A Ilha" de 1900, escreveu que três espécies de cana de açúcar eram cultivadas na ilha: caiana (saccharum officinarum); rosa ou batavia (saccharum violaceo); miúda, crioula ou cana fita (saccharum syneensi), esta última. mais apropriada para a fabricação de cachaça, era cultivada em menores quantidades.

No século XXI ainda se planta cana fita na região litorânea de Santa Catarina numa extensão de 400 quilômetros e que se adentra até as bases da Serra do Mar.

Os engenhos de cana de açúcar na Ilha de Santa Catarina eram açorianos. O engenho possuía quatro níveis: no Alto a cana de açúcar era recebida e moída; no Intermediário, seu caldo era fermentado em cochos de madeira, produzindo o vinho da cana de açúcar, ou era cozido em tachos de cobre para fabricação de melado e de açúcar de merara. No Segundo Intermediário o vinho, era destilado para fabricação de cachaça; num nível mais baixo, a cachaça era armazenada em tonéis de madeira para envelhecimento.

O aparelho de destilação, ou alambique, compunha-se de duas peças: a inferior conhecida como cuncúrbita ou caldeira e a superior denominada capitel. A primeira era um vaso bojudo de cobre com capacidade de 40 medidas (104 litros), com uma boca de 70 centímetros de diâmetro. A segunda peça, o capitel ou capacete, era feito em barro. de forma esférica inteiriça. na proporção de um quarto da cuncúrbita e ajustada na sua boca. Na parte lateral do capitel era instalada a serpentina, grosso tubo de barro afinando para sua extremidade aberta. Sobre a serpentina e o capitel era lançada água para condensação da cachaça vaporizada.

O mesmo sistema, era utilizado em 1532 no Engenho dos Erasmos, de Martim Afonso, no porto de Santos.

Na Ilha de Santa Catarina, no auge da produção de cachaça, operavam mais de 100 alambiques de cana, mas hoje somente existem na região litorânea do continente próximo, devido a transformação da cidade portuária em cidade turística.

Os processos de fermentação e destilação da cachaça ARMAZEM VIEIRA são os tradicionais do século XVIII, aprimorados pela empresa proprietária da marca e do prédio histórico ARMAZEM VIEIRA: a cachaça é elaborada do caldo de cana de açúcar destilado em um alambique de cobre mais elaborado.

O alambique fica junto a um pequeno e rápido rio de onde vem a força motriz da roda de água do engenho para elaborar o caldo de cana de açúcar. Este rio nasce na encosta da Serra do Mar e suas águas são limpas e com poucas sais minerais. Nessas encostas é plantada a cana de açúcar "crioula ou cana fita" que da origem a cachaça ARMAZEM VIEIRA.